Contemple abaixo o conteúdo programáticos dos semestres passados:

2020 online: Quem tem medo das ciências?

Coordenação: Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho

Módulo I –  Cosmologias filosóficas e suas apropriações poéticas

Fernando Rey Puente (Filosofia/UFMG) Maria Cecília de Miranda N. Coelho (Filosofia/UFMG)

Parte 1, Prof. Fernando: ideias físicas e cosmológicas de Aristóteles e sua apropriação poética por Dante em sua Divina Comédia. Parte 2, Profa. Cecília: Revolução copernicana-galileana e sua recepção no século XX na peça Galileu Galilei, de Bertold Brecht. Com participação especial de um membro da equipe do planetário do Espaço do Conhecimento.

Módulo II –  Ciência, crítica e esclarecimento

Eduardo Soares   (Filosofia/UFMG)

O módulo apresentará as relações entre Ciência e medo a partir da posição original do problema por Kant, para quem a crítica aparece como modo do esclarecimento, e as reposições contemporâneas do problema, igualmente focadas na tarefa da crítica.

Módulo III – Aspectos da Revolução Científica

Túlio Xavier  (Filosofia/UFMG)

O módulo tem como objetivo apresentar os principais episódios históricos da Revolução Científica, acentuando seus aspectos metodológicos e ontológicos. Ao final, serão discutidos alguns dos critérios de cientificidade mais relevantes para o debate contemporâneo sobre Ciência.

Módulo IV – Uma lógica da desinformação

Abílio Rodrigues  (Filosofia/UFMG)

Em diversas situações, temos de lidar com informações contraditórias como as obtidas na Web, no Facebook, Whatsapp, Telegram etc., que podem ser tanto verdadeiras quanto falsas, ou não possuir justificação alguma, ou talvez apenas uma pseudojustificação, e nada garante que até mesmo a fonte de tais informações acredite nelas. Uma lógica adequada a esses contextos contraditórios não é a clássica, pois não estamos lidando com a verdade, mas uma capaz de lidar também com uma noção de informação que inclua desinformação, que é informação falsa divulgada com o propósito de causar dano.

2019/2: Verdade e Pós-Verdade: considerações filosóficas 

Coordenação: Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho

Módulo I – Política e Verdade. Reflexões a partir de Hannah Arendt 

Helton Adverse (Filosofia/UFMG) 

Haveria lugar para a verdade na política? Ou seriam elas essencialmente incompatíveis? A proposta do curso é explorar alguns aspectos da relação entre política e verdade a partir de dois textos de Hannah Arendt: o primeiro se intitula “Verdade e Política” (publicado em Entre o passado e o futuro); o segundo texto é “A Mentira na Política” (publicado em Crises da república).

Módulo II – Algumas ferramentas conceituais para se compreender a pós-verdade

Ernesto Perini (Filosofia/UFMG)

A expressão “pós-verdade” designa uma maior aceitação no espaço público de afirmações claramente falsas. De fato, parece haver algo de novo no mundo que é capturado nesta expressão. Para entender o que ocorre, este módulo irá apresentar ferramentas conceituais reunidas em torno das seguintes perguntas: Por que aceitamos algo como verdadeiro? Todas as questões são legítimas? Como a saber se divide na sociedade? Como circulam informações? Cada uma destas perguntas traz um conjunto diferente de conceitos para compreender esta inquietante tendência nas sociedades contemporâneas.

Módulo III – Retórica, verdade e verossimilhança em Platão, Aristóteles e Luciano

Maria Cecília de Miranda N. C. (Filosofia/UFMG) e jacyntho J. Lins Brandão (Letras/UFMG)

Em um primeiro momento (as primeiras duas aulas, a cargo da Profa. Cecília), serão apresentadas as críticas de Platão à retórica, a partir do modo como o filósofo grego afirmava que ela era praticada pelos sofistas, o que serpa feito por meio da análise de algumas passagens dos diálogos Górgias e Fedro. Em seguida, analisaremos a revalorização dessa disciplina por Aristóteles, que em sua obra Retórica a apresenta como contraparte da dialética. Na segunda parte do módulo (as duas aulas finais, a cargo do Prof. Jacyntho), serão analisados conceitos de verdade e de verossimilhança, bem como a imagem da figura do filósofo no âmbito da obra de Luciano de Samósata.

Módulo IV – O papel dos meios de comunicação na formação dos falsos consensos

Rodrigo Duarte (Filosofia/UFMG)

Na primeira metade da década de 1940, Adorno e Horkheimer, no seu exílio estadunidense, formularam o conceito de “indústria cultural”, por meio do qual elaboraram uma crítica contundente aos meios de comunicação de massa, quanto ao seu papel de, além de vender mercadorias culturais de valor muito discutível, estabelecer consensos que atenderiam antes aos interesses de uma minoria econômica e politicamente privilegiada do que aos dos grande público. Quase oitenta anos depois-tendo em vista o espantoso desenvolvimento tecnológico trazido pela digitalização dos media, o modelo de crítica à indústria cultural proposto pelos filósofos alemães continua válido e se mostra particularmente útil para explicar os fenômenos recentes da “pós-verdade” e das fake news.

2019/1: Ética e Estética: do texto à tela

Coordenação: Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho

Módulo I: Electra e Medeia – matricídio e filicídio em cena

Maria Cecília de Miranda N. Coelho (Filosofia/UFMG)

Propõe-se uma abordagem dos temas do matricídio e do filicídio por meio da análise de cenas de tragédias gregas relativas às personagens Electra e Medeia. Serão discutidas as Coéforas, de Ésquilo, a Electra, de Sófocles, e a Electra e a Medeia, de Eurípides. Paralelamente, analisaremos a transposição dessas tragédias para a tela em filmes dos seguintes diretores: Cacoyannis, Jancso, Visconti e Canijo (mito de Electra); Pasolini, von Trier e Dassin (mito de Medeia).

Módulo II: A mitologia grega e suas reencenações nas artes visuais

Celina F. Lage (Escola Guignard/UEMG)

Serão apresentadas algumas releituras de mitos gregos realizadas no âmbito das artes visuais: mitos da Odisseia, de Homero, nos filmes O Desprezo, de Jean-Luc Godard, e Um Olhar a Cada Dia, de Theo Angelopoulos; os mitos criados por Platão, na República, com destaque para o da caverna em suas recriações fílmicas; e, por fim, algumas representações da mitologia nas obras de outros artistas contemporâneos.

Módulo III: Dilema/Cinema

Sérgio Alcides Pereira do Amaral (Letras/UFMG)

A partir do comentário de cinco filmes de algum modo relacionados a obras literárias, propõe-se a discussão de dois temas: (1) maneiras de a ficção se aproximar de problemas tais como o fanatismo, a maldade e a culpa; e (2) aspectos éticos da apropriação do texto pelo cinema. Serão examinados: A deusa (1960), de Satyajit Ray (baseado em conto de Mukhopadhyay);A grande testemunha (Au hasard Balthazar, 1966), de Robert Bresson (a partir de alusão a O idiota, de Dostoiévski); Minha noite com ela (1969), de Éric Rohmer (que aproveita os Pensamentos, de Pascal); Rashomon (1950), de Akira Kurosawa (sobre conto de Ryunosuke Akutagawa); e O espírito da colméia (1973), de Víctor Erice (que explora o efeito da estória de Frankenstein sobre uma criança em tempos difíceis).

Módulo IV: Literatura e política no cinema dos Straub

César Geraldo Guimarães (Comunicação Social/UFMG)

Este módulo aborda as relações entre o texto literário e a escritura fílmica a partir das aproximações – e distâncias também – entre a literatura de Cesare Pavese (A lua e as fogueiras e Conversações com Leucó) e de Franz Kafka (O desaparecido ou Amerika) e os filmes de Jean-Marie Straub e Danielle Huillet (Da nuvem à resistência e Relações de classe). Entre a letra e a imagem corre o fio das correlações entre cinema e política.

2018/2: O Real como questão filosófica

Coordenação: Giorgia Cecchinato

Módulo I: Real e realidade em filosofia e psicanálise

Gilson Iannini (Psicologia/UFMG)

Como sabemos que o real é real? O módulo pretende abordar o estatuto da realidade – e de termos correlatos – como um ponto de interseção e de tensão entre os discursos da filosofia e da psicanálise. Partindo de distinções fundamentais da metapsicologia freudiana, como a distinção entre realidade psíquica e realidade material, princípio do prazer e princípio de realidade, perguntamo-nos inicialmente de que elementos o aparelho psíquico dispõe para produzir índices que permitam distinguir entre percepção, memória, fantasia, sonho, ilusão, etc. Em um segundo momento, discutiremos o além do princípio do prazer e o além do princípio de realidade, a partir da distinção lacaniana entre real e realidade, assim como tentaremos introduzir algumas implicações para o debate contemporâneo acerca do estatuto da verdade e da ficção.

Módulo II: Percepção e realidade

Marco Aurélio Sousa Alves (DTECH/UFSJ)

Sem a experiência perceptiva, seríamos insensíveis ao mundo e não teríamos como conhecer nenhum fato contingente. Parece trivial dizer que a percepção nos possibilita o acesso à realidade. Entretanto, essa afirmação trivial enfrenta razões poderosas que insistem em Este módulo apresenta uma breve exposição do debate em filosofia da percepção acerca da relação entre experiência perceptiva e mundo. Como veremos, a noção mesma de experiência perceptiva apresenta uma série de desafios para o pensamento filosófico. O caminho aqui proposto discutirá, dentre outras coisas, as noções de consciência, representação e conceito. A discussão fará constante referência a estudos recentes das ciências cognitivas e da neurociência, tendo em vista uma compreensão integrada daquilo que torna nossas experiências perceptivas capazes de apreender elementos da realidade.

Módulo III: O real na poesia

Sérgio Alcides Pereira do Amaral (Letras/UFMG)

O real e o fictício na poesia. Os expulsos da República de Platão e seus defensores. Novalis: “A poesia é o autêntico real absoluto”. Mandelstam: “A única realidade é a própria obra de arte”. Aristóteles: o “impossível plausível” e o “possível não-crível”. Concepções do real na poesia moderna. Wallace Stevens: a “interdependência da imaginação e da realidade como iguais”. Octavio Paz e a poesia como “fome de realidade”. Leituras de Cecília Meireles (“dizer com claridade o que existe em segredo”), Drummond (“o império do real, que não existe”), Seféris (“o poeta, um vazio”) e Jorge de Sena (“Só isto – o decisivo – não sabemos”).

Módulo IV: Realidade e física quântica

Patrícia Kauark Leite (Filosofia/UFMG)

A física quântica é objeto de muitas discussões, especulações e interpretações filosóficas antagônicas. Ela coloca em questão a visão clássica da ciência como descrição de uma realidade independente objetiva que seria revelada através de nossos dispositivos de medição. Pela primeira vez, uma teoria parece separar irreconciliavelmente o modelo físico da realidade e a maneira como a realidade se manifesta a nós através da prática experimental. As tentativas de voltar a uma representação “mais intuitiva” capaz de nos reconciliar com o realismo parecem fadadas ao fracasso. Este módulo pretende analisar e discutir as principais questões levantadas por essa ciência em torno da noção de “realidade objetiva” e de como construímos sua representação.

2018/1: O corpo como questão filosófica

Coordenação: Giorgia Cecchinato

Módulo I: Helena, espartana-troiana: quando o  lógos  se faz corpo 

Maria Cecília de Miranda N. Coelho (UFMG) 

O objetivo do curso é o de analisar e discutir excertos de quatro textos e cenas de quatro  filmes que tratam da personagem mítica Helena de Troia:  Ilíada  e  Odisséia, de Homero (primeiro encontro);  Elogio a Helena, de Górgias (segundo encontro), a tragédia  Helena, de Eurípides (terceiro encontro), e os filmes  Helena, de Manfred Noa,   Helena de Tróia, de Robert Wise,  Helena e os Homens, de J. Renoir, e  Troianas, de M. Cacoyannis (quarto encontro). Todas as discussões terão como fio condutor a palavra corpo (soma) e os conceitos a ela relacionados.  

Módulo II: O corpo nos Ensaios de Montaigne 

Telma Birchal (UFMG)   

11, 18, 25, abril e 2 maio   A partir da metáfora da “pintura”, que quer tornar presentes no livro o corpo e a alma , o módulo pretende explorar alguns aspectos da reflexão sobre a corporeidade em Montaigne, o qual, contrariamente à grande parte da tradição filosófica, pensa a condição humana como “maravilhosamente corporal”.  O módulo concentra-se na leitura de alguns capítulos dos Ensaios, articulando, em torno do tema do corpo, as questões do prazer e da dor, a experiência da finitude e da morte,  a centralidade da imaginação e a recusa da crueldade como exigência central de uma ética adequada à condição humana.   

Módulo III: O corpo dos escritores 

Lucia Castello Branco (FALE-UFMG) 

O corpo na literatura e na psicanálise: Roland Barthes e Jacques Lacan. Texto de prazer, corpo de gozo. Maria Gabriela Llansol e Antonin Artaud: o texto orgânico e o corpo sem órgãos. Marguerite Duras: o corpo dos escritores. Escrita e corpo: secreções. Jean-Luc Nancy: Corpus. Escrever: o que que segrega, o que secreta. O sexo de ler para um corp’a’screver. 

Módulo IV: Corpo e tecnologia 

Debora Pazzetto Ferreira (CEFET)  

Este módulo terá como foco abordagens filosóficas contemporâneas que problematizam as relações entre o corpo e as tecnologias. Inicia-se pela crítica foucaultiana (1975) acerca da docilização dos corpos perpetuada através das tecnologias modernas de controle, vigilância e punição. Em seguida, tematiza-se a polêmica tese de Haraway (1985) de que os corpos, atualmente, são ciborgues, isto é,  híbridos de máquina e organismo, realidade social e ficção. Na sequência passa-se a problematizar essa tese no campo das artes contemporâneas que usam o corpo como veículo de expressão, em articulação com o pensamento flusseriano sobre a intersecção entre corpo, arte e tecnologia (1985). Por fim, analisa-se  os questionamentos queer de Preciado (2004) acerca dos gêneros diante da indistinção entre natureza e cultura, corpo e tecnologia.